Depois de uma primeira fase de auto-conhecimento, começamos a estar preparados para a relação com os outros, ou pelo menos começar a abertura a essa relação.
Que competências dominam esta fase?
- Presença autêntica
Na comunicação com os outros, utilizamos em geral dois tipos de linguagens. Uma verbal e outra não verbal. Esta última tem a ver com as expressões, gestos, tiques, posturas físicas…
Sempre que comunicamos com alguém, é esta linguagem não verbal que chega primeiro e nos leva de imediato a formular um juízo, que pode ser o de acreditar, não acreditar, achar que se está a esconder alguma coisa, que se está a querer dar a volta…etc. Posteriormente a este juízo chegam as palavras que, ou confirmam o juízo ou o contrariam. Sempre que estas duas linguagens não são coincidentes, não confiamos nas mensagens recebidas, ou seja a linguagem não verbal diz-nos uma coisa e a verbal outra.
A presença autêntica é por isso a capacidade de se dizer o que se pensa e sente, é isso que dá coerência ás duas linguagens. É isso que leva a que os outros confiem em nós.
Numa sociedade onde a cultura vigente é a do politicamente correcto e dizer aos outros o que eles querem ouvir, esta é uma prática que é difícil, requer exercícios práticos e por vezes correr alguns riscos. Mas a alternativa é sempre esta, ou correr esses riscos e gerar confiança nos outros ou viver na não confiança. Há que experimentar, reflectir sobre essa experiência e corrigir algumas vezes mais a forma em como se diz, do que aquilo que se diz.
- Raio de confiança
É o resultado da autenticidade falada no ponto anterior. É a capacidade de gerar confiança á sua volta e passar isso aos outros.
- Insatisfação construtiva
É ser capaz de dizer: Não estou de acordo, por estas razões e acho que a melhor solução é esta! Não basta por isso discordar! Como também não basta concordar por concordar!
Estamos numa sociedade onde as pessoas têm um peso negativo relativamente ao conceito insatisfação, é socialmente correcto estar satisfeito com tudo. Com nós mesmos, com as relações afectivas, com os amigos, com o emprego. Mas não é isso que faz construir o que quer que seja. A insatisfação é uma forma de construir, desde que seja construtiva! É uma qualidade e não um defeito!
- Capacidade de recuperação e renovação
Os dados que se conhecem, dizem-nos que na Europa 60% do absentismo já é causado por doenças que resultam do stress. Muitos milhões de horas e muito pouca qualidade de vida!
Quando se procuraram as causas, encontraram-se várias razões, mas á cabeça vinham os conflitos com os chefes, com os colegas e também isto de engolir sapos e não dizer nada.
O nosso equilíbrio, a recuperação e renovação da nossa energia, não podem resultar da nossa anulação, do querer viver bem com todos, do fugir aos conflitos. Vem de nos assumirmos como somos, como pensamos e como sentimos!
Os conflitos interiores consomem bastante mais energia do que os outros!
Mais uma aula oferecida pelo Jorge Marques, k nós agradecemos mto. Bjs
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