Aprender a sentir
A primeira fase da aprendizagem das competências emocionais é uma espécie de alfabetização. Porquê? Porque nós aprendemos a linguagem escrita, a linguagem falada, nalguns casos a gestual e outras, mas não aprendemos a linguagem do sentir. Linguagem do sentir, também porque como dissemos no capítulo inicial, ligamo-nos ao mundo através dos sentidos, logo a linguagem não pode ser outra! Que tipo de competências estão presentes nesta fase? São competências simples de enunciar, porque a inteligência emocional é a inteligência natural, a da simplicidade. Talvez por isso mesmo, esta facilidade de enunciado se transforme em tanta dificuldade prática.
As competências presentes são:
1 - Honestidade emocional
É a capacidade de falarmos verdade e sermos honestos com nós próprios, antes de sermos com os outros. Temos que cuidar aqui das justificações que nos vamos dando sobre o que nos acontece, apenas para nos sentirmos mais confortáveis. Temos que nos ir perguntando, estás a enganar-te ou a tentar enganar os outros. Teremos certamente a resposta dentro de nós. Isto tem uma aprendizagem solitária, com nós mesmos, a relação é só connosco!
Temos que ficar convictos, de que enquanto esta verdade e esta honestidade não existir para dentro, não existirá para fora.
Não podemos dar o que não temos!
2 - Energia emocional
Na relação com a realidade exterior, recebemos muitos sinais, através dos sentidos. Nessa relação geramos interiormente uma energia ( e/moção), que quer dizer, movimento de dentro para fora. Nesta fase, temos que tomar consciência desta emoção, disto que nos indica um sentido de resposta. Sem esta tomada de consciência não existe emoção, é uma outra coisa qualquer. Nesta tomada de consciência, ou agimos emocionalmente, ou nos inibimos e agimos racionalmente. Precisamos distinguir aqui os nossos comportamentos práticos e os nossos mecanismos de bloqueio. Porque não faço assim, ou porque faço desta maneira. Continua a relação com nós mesmos!
3 - Feedback Emocional
Porque é que quando falamos com várias pessoas ao mesmo tempo e dizemos o mesmo a todos, verificamos que cada uma delas sentiu e agiu de maneira diferente?
Porque é que quando lemos todos o mesmo artigo ou um mesmo livro, se falamos sobre isso, cada um interpretou de maneira diferente?
Porque comunicar é sobretudo sentir, mais do que ouvir ou falar! É pelo sentir que agimos! Por isso, quando comunicamos, já não podemos satisfazer-nos com o ouvi, percebi, de acordo, temos que perceber o sentir dos outros. Isso é o feedback profundo, emocional!
4 - Intuição Prática
Damásio tinha uma definição curiosa para intuição. Dizia que era um misterioso mecanismo do nosso corpo, que nos dava respostas sem lhe perguntarmos nada.
Este tipo de respostas naturais são as intuições. Nesta fase de aprendizagem, temos apenas que saber começar a ouvi-las, sem avaliar. Isto porque há pessoas que dizem, tenho intuições, mas elas enganam-se sempre, por isso faço o contrário do que me dizem. Grandes figuras acreditavam e ouviam as suas intuições, por exemplo Einstein, que depois do almoço, com os pés descalços na relva e fazendo a sua sesta, dizia que era nesse momento que recebia as suas intuições mais criativas. Muitos dos galardoados do Prémio Nobel, dizem a mesma coisa. Porque dizemos que as mulheres têm o sexto sentido, mais intuição? Porque em termos culturais e de educação, sempre puderam exercer mais e melhor as suas emoções. Porque aos homens sempre foi dito para conterem essas emoções, pelo menos nas gerações mais velhas. A intuição será, de facto, um sexto sentido, quando formos emocionalmente inteligentes e exercermos na prática essas emoções.
Gracias ao Jorge Marques que nos oferece deste modo, aulas de inteligência emocional.
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1 comentário:
Achei muito curioso este texto, porque me fez reflectir uma série de questões.
Eu associei imediatamente o que li, á educação.
Seja ela académica, familiar, religiosa, filosófica ou o que quer que seja.
Estamos de tal maneira habituados a nos moldarmos a qualquer coisa, que nos perdemos.
Somo actores desempenhando vários papéis, que a maior parte das vezes, não sabemos quem realmente somos, nem o que queremos.
Eu penso que a raiz do problema, é o Homem na sua individualidade.
Na minha perspectiva, a tarefa primordial de todos, seria trabalhar em nós, mas andamos tão distraídos com a vida, e ela generosamente dá-nos tanto entretenimento, que nos sobra pouco tempo para o essencial, para estarmos quietos e ouvirmo-nos, para a naturalidade, para a simplicidade, e assim sermos emocionalmente saudáveis
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