16 novembro 2007

Entrevista com Rita Levi - Montalcini Por ENRIC GONZALEZ

NEURÓLOGA e prémio NOBEL de medicina - 1986 EL PAIS, Maio 15, 2005
Esta é uma parte da entrevista que pode ser consultada na totalidade em:
http://www.ddooss.org/articulos/entrevistas/levi_montalcini.htm
Mudámos parcialmente. Por que somos mais inteligentes que há 50.000 anos mas não somos melhores?
Não somos melhores porque o componente límbico cerebral continua a dominar a nossa actividade. Vivemos como (...) há 50.000 anos, dominados pelas paixões e pelos impulsos de baixo nivel. Não estamos controlados pelo componente cognitivo, apenas pelo componente emotivo, o agressivo em particular. Continuamos a ser animais guiados pela região límbica palocortical, sustancialmente igual no homem como nos outros animais. As nossas opcões de melhoria moral passam pelas circunvalacões neocorticais que felizmente temos.
(...)
Você que viveu quase todo o século XX, conhece os seus erros melhor que eu.
(...) estou segura que devemos livrarmo-nos desse passado nefasto. Porque se assumimos uma visão catastrofista do ser humano, estamos acabados. A vida é inútil. Eu tambem me sinto interiormente incapaz de ser optimista, mas há que sê-lo, custe o que custar. Há que manter a confiança no futuro.
Sejamos positivos. Quais foram as coisas mais positivas do século passado?
(...) a conclusão que pode extrair-se do século XX é que devemos mudar os mecanismos de instrução e relação erronea entre os adultos e as crianças. Até agora andamos entre o autoritarismo victoriano, ou seja, faz isto porque és pequeno e eu sou maior, e o permissivismo, ou seja, faz o que queres. No meu livro Tempo de Acção falo da educação cognitiva, que faz da criança um "productor activo", e não um "consumidor passivo" da formação. As pessoas aprendem não porque lhes transmitem a informação, mas porque construimos a nossa versão pessoal da informação. Se mudamos a forma de educar as crianças, quer dizer, confrontá-los com a vida, talvez possamos mudar o mundo. Os métodos educativos tradicionais são absurdos. A nossa única esperança consiste em actuar desde o principio, porque a criança percebe tudo no primeiro ano de vida. Devemos dar alas ao genio que cada homo sapiens traz consigo. Se não nos dermos conta de que esse ser recem nascido que temos á nossa frente percebe todas as mensagens, boas e más, estamos acabados. Quando essa criança tiver 20 anos pode pensar que é uma boa idea matar quem considera um ser inferior. A mim, por exemplo, que sou judia.
O seu pai não a deixou estudar até aos 20 anos.
(...) mesmo o que estava contra mim, o atraso nos estudos, ou a necessidade de esconder-me durante a guerra por ser judia, foi uma sorte. Montei um pequeno laboratorio na casa onde me escondía, e alguns dos meus descobrimentos daquela época acabaram por me levar a Estocolmo e ao Premio Nobel.
(...)

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