"(...) um progresso. Mas em que sentido um progresso? No único sentido em que a palavra pode ser tomada, quando se trata da aventura humana: no sentido de que se pretende para o homem cada vez maior liberdade para poder ser o que é na essência; por outras palavras, cada vez mais direito de cumprir o que é seu dever, seu único dever; repetindo o que disse já tanta vez, e direi sempre: o dever de ser santo. (...)
(...) a accão só vale quando é feita como um exercicio, e um exercicio com amor, quando é feita como uma ascese, e uma ascese por amor de que se liberte o Deus que em nós reside. E se a acção implica amargura, o que há a fazer é mudar de campo: porque não é a acção que estará errada, mas nós próprios (...)
(...) não deve estar nem fora das nossas cogitações nem fora de nossas ambições a da santidade para todos: mais dificil porque se para ser médico, engenheiro ou professor, é necessário ter em vista o proprio objectivo, para se ser santo deverá ser uma das condições o não ter objectivo algum (...)
Tão estranha e maravilhosamente somos compostos de eternidade e de tempo que, sendo a nossa única e real vocação a de ser santos, a cada passo nos estamos especializando, nos estamos deixando arrastar e prender por todos os outros fragmentos de vocação ou por todo o passageiro chamamento que por acaso ouvimos. E este é o nosso primeiro ponto de combate: o de não deixarmos que o que é puramente temporal tome em nossas vidas o lugar que se deve ao eterno. As Aproximações (1960) Textos e Ensaios Filosoficos II - Antologia de Paulo Borges - Ancora Editora ISBN 972-780-170-6
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